quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Célula solar zumbi gera energia depois de morta

Célula solar zumbi gera energia depois de morta

Célula solar zumbi gera energia depois de morta
As células solares orgânicas viraram zumbis depois que todo o seu eletrólito secou - mas elas continuaram funcionando. [Imagem: Gerrit Boschloo Lab/RSC]
Células solares de plástico
As células solares orgânicas - que respondem por vários nomes, comocélulas de Gratzel, células solares sensibilizadas por corantes, DSCs, células solares de plástico etc - são muito promissoras porque são fabricadas em plásticos flexíveis, podendo ser aplicadas sobre qualquer superfície, são transparentes e potencialmente muito baratas.
Além disso, elas não precisam do Sol direto, podendo gerar quantidades razoáveis de eletricidade mesmo em dias nublados ou em um lusco-fusco.
Ao contrário dos cristais de silício das células solares tradicionais, elas usam polímeros e moléculas orgânicas em estado líquido para absorver a luz e transportar as cargas elétricas geradas.
Ocorre que, com o tempo, esse líquido seca, e a célula solar orgânica deixa de funcionar - ou, pelo menos, deveria deixar de funcionar.
Célula solar zumbi
Foi isso que deu um susto na pesquisadora Marina Freitag, da Universidade de Uppsala, na Suécia, que recolheu uma série de células solares orgânicas "mortas" - cujo eletrólito tinha-se evaporado completamente - e verificou que elas haviam-se transformado em "células solares zumbis", e continuavam funcionando.
"As células solares secas funcionaram em alguns casos ainda melhor do que quando estavam cheias de líquido e vivas. A eficiência na conversão de energia de algumas aumentou até 8%, o que é um recorde para uma célula solar sensibilizada por corante com um condutor positivo sólido," conta o professor Gerrit Boschloo.
Célula solar zumbi gera energia depois de morta
A geração de zumbis parece funcionar melhor com eletrólitos que contêm cobre. [Imagem: Marina Freitag et al - 10.1039/C5EE01204J]
Os pesquisadores constataram que, quando o eletrólito secou, formou-se uma estrutura sólida capaz de transportar cargas positivas - um condutor sólido de lacunas - que ninguém havia conseguido fabricar até hoje.
Ao tentar copiar o "DNA" das células solares renascidas, a equipe verificou que não é fácil fazer clones de zumbis: é mais fácil construir as células orgânicas da maneira tradicional, líquidas, e deixá-las morrer e voltarem à vida por conta própria.
Zumbis resistentes
A descoberta é promissora porque um dos grandes entraves à comercialização das células solares orgânicas é que é muito difícil selá-las, justamente para evitar que o eletrólito evapore.
A equipe agora vai acompanhar a resistência a longo prazo das células solares zumbis para verificar se esse é um caminho seguro rumo a células solares orgânicas sólidas que sejam duráveis, alcançando uma vida útil de pelo menos alguns anos.

Bibliografia:

High-efficiency dye-sensitized solar cells with molecular copper phenanthroline as solid hole conductor
Marina Freitag, Quentin Daniel, Meysam Pazoki, Kári Sveinbjörnsson, Jinbao Zhang, Licheng Sun, Anders Hagfeldt, Gerrit Boschloo
Energy & Environmental Science
Vol.: 8, 2634-2637
DOI: 10.1039/C5EE01204J

Brasileiros ajudam a criar telas biodegradáveis para celular

Brasileiros ajudam a criar telas biodegradáveis para celular

Brasileiros ajudam a criar telas biodegradáveis para celular
Os nanotubos de proteína otimizam o funcionamento dos OLEDs, os LEDs orgânicos. [Imagem: Universidade de Missouri]
Telas biodegradáveis
Pesquisadores brasileiros e norte-americanos deram um passo importante rumo à criação de componentes biodegradáveis para a fabricação de telas de celulares, tablets e computadores.
"Esta descoberta cria a primeira camada ativa biodegradável em eletrônica orgânica, significando que, em princípio, nós poderemos atingir uma biodegradabilidade integral," disse o professor Suchismita Guha, da Universidade de Missouri, nos EUA.
Fazem parte da equipe os brasileiros Wendel Alves e Thiago Cipriano, da Universidade Federal do ABC (UFABC), e Eudes Fileti, da USP.
Usando peptídeos - ou proteínas - a equipe conseguiu demonstrar que, devidamente combinadas com um polímero emissor de luz azul (OLED), é possível criar as estruturas principais das telas usadas em celulares e tablets.
Biodegradabilidade
Os peptídeos se auto-organizam para formar nanotubos para coletar e dirigir a luz, permitindo ainda o uso de uma quantidade significativamente menor do material que forma o OLED (LED orgânico) - conforme demonstrações anteriores, a nanotecnologia permitiu melhorar o brilho dos LEDs orgânicos em 400%.
Usar menos polímero emissor de luz para criar a mesma intensidade de luz azul significa que os nanocompósitos atingem quase 85% de biodegradabilidade, algo essencial na medida em que os usuários estão trocando seus celulares a cada 22 meses, em média.
"Combinando os semicondutores orgânicos com nanomateriais, conseguimos criar a luz azul necessária para uma tela. No entanto, a fim de fazer uma tela viável para um telefone celular ou outros monitores, vamos precisar alcançar um sucesso similar com polímeros emissores de luz vermelha e verde," ressalva o professor Guha.

Bibliografia:

Self-Assembled Peptide-Polyfluorene Nanocomposites for Biodegradable Organic Electronics
Soma Khanra, Thiago Cipriano, Thomas Lam, Tommi A. White, Eudes E. Fileti, Wendel A. Alves, Suchismita Guha
Advanced Materials Interfaces
Vol.: 2 (14)
DOI: 10.1002/admi.201500265
http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/admi.201500265/abstract

sábado, 10 de outubro de 2015

Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física

Espaço

Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física

Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
Cientistas usam um bote dentro do Observatório de Neutrinos Superkamiokande, formado por milhares de detectores em uma instalação subterrânea, totalmente preenchida com água. [Imagem: Universidade de Tóquio]
Massa dos neutrinos
Duas décadas depois da descoberta das oscilações dos neutrinos, que mostrou que essas partículas possuem massa, os dois principais responsáveis pela façanha, o japonês Takaaki Kajita, do Observatório Superkamiokande (Universidade de Tóquio), e o canadense Arthur McDonald, do Observatório de Neutrinos Sudbury (Universidade Queen's), foram contemplados com o prêmio Nobel de Física de 2015.
Em dois experimentos independentes, as equipes lideradas por Kajita e McDonald demonstraram que os neutrinos podem mudar de identidade - ou de "sabor", conforme o jargão da física de partículas.
Em outras palavras, um tipo de neutrino pode se transformar em outro - hoje são conhecidos três tipos de neutrinos: do elétron, do múon e do tau.
Para que tal mudança ocorra, é preciso que a partícula tenha massa. O chamado Modelo Padrão da Física de Partículas considerava até então que o neutrino não possuía massa.
Conforme explica o físico Robert Garisto, editor da Physical Review Letters, "embora cada neutrino seja produzido com um sabor específico, o seu estado quântico pode evoluir para uma combinação dos três sabores, com as proporções oscilando no tempo. A probabilidade de sua detecção como um neutrino do múon, por exemplo, vai depender do tamanho do componente múon no neutrino no momento da detecção. Quanto menor for a diferença de massa entre os sabores, maior será o período de oscilação, de modo que as oscilações não poderiam ocorrer se todos os sabores tivessem a mesma massa ou não tivessem nenhuma massa, já que o efeito depende apenas da diferença de massa ao quadrado. O período de oscilação também aumenta com a energia do neutrino."
Mar de neutrinos
Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
A conclusão de que os neutrinos têm massa abriu o caminho para a descoberta de uma nova partícula que pode revolucionar toda a tecnologia, os chamados "pontos de Weyl". [Imagem: Ling Lu et al. - 10.1126/science.aaa9273]
A importância da descoberta para o avanço do conhecimento é enorme, porque, depois do fóton (a partícula da interação eletromagnética), o neutrino é o objeto mais abundante do Universo, descontada a elusiva matéria escura, cuja existência só é depreendida pelo seu efeito gravitacional, mas sobre a qual nada se sabe.
Além disso, diferentemente do fóton, o neutrino quase não interage com a matéria. Por isso a Terra - nós incluídos - recebe e é atravessada regularmente por trilhões de neutrinos sem que percebamos: neutrinos que foram produzidos nos primeiros tempos do Universo; neutrinos provenientes de fontes extragalácticas; neutrinos gerados no interior das estrelas, entre elas, o Sol; e neutrinos resultantes do choque de raios cósmicos com a atmosfera terrestre.
"Os neutrinos têm, por assim dizer, o dom da ubiquidade. E são os mensageiros dos confins do espaço e dos primórdios do tempo, fornecendo informações preciosas sobre a estrutura do Universo. Graças à descoberta das oscilações por Kajita e McDonald, o estudo dos neutrinos é hoje um dos ramos mais dinâmicos da Física, mobilizando pesquisadores que trabalham com partículas e com Cosmologia, com o micro e o macro", explica a professora Renata Zukanovich Funchal, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP).
Descoberta do neutrino
Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
Físicos brasileiros querem abrir uma nova janela para o Universo usando o Detector Mário Schenberg, que está procurando as ondas gravitacionais previstas por Einstein. [Imagem: Xavier P.M.Gratens]
Para avaliar o alcance da descoberta que resultou agora no Nobel, é preciso recuar várias décadas. O neutrino foi a primeira partícula da Física que teve sua existência postulada teoricamente, muito antes da descoberta experimental. Tal postulação foi feita pelo austríaco Wolfgang Pauli (1900-1958) em 1930, para explicar a conservação da energia durante o evento nuclear conhecido como "decaimento beta".
No decaimento beta, o núcleo atômico, que não tem elétrons, emite um elétron. Sabe-se hoje que isso resulta da transmutação de um nêutron em um próton, com a liberação do elétron. Mas, para que a energia final do processo seja igual à energia inicial, como exige a lei da conservação da energia, é preciso que o núcleo emita também outro tipo de partícula além do elétron.
Essa partícula extra proposta por Pauli, que parecia um simples artifício, foi inicialmente encarada com ceticismo pela comunidade científica. Mas o italiano Enrico Fermi (1901-1954) a levou a sério. E, em 1932, atribuiu-lhe o nome de neutrino, que significa "pequeno nêutron" em italiano. O brasileiro Mário Schenberg (1914-1990), que trabalhou com Fermi, foi um dos primeiros a utilizar operacionalmente tal ideia, por meio da qual fechou o balanço energético da explosão das estrelas supernovas - o detector Mário Schenberg, uma homenagem ao físico, está trabalhando em busca de sinais das ondas gravitacionais.
A existência do neutrino foi finalmente confirmada em um experimento conduzido pelos norte-americanos Clyde Cowan e Frederick Reines em 1956. Em 1995, essa descoberta experimental foi contemplada com o Prêmio Nobel, que Reines recebeu, em seu nome e no de Cowan, falecido em 1974.
"No Modelo Padrão, o neutrino faz parte da família dos léptons. Para cada lépton eletricamente carregado (o elétron, o múon e o tau), existe um neutrino correspondente. Portanto, existem três neutrinos: o do elétron, o do múon e o do tau", explica Renata. "Inicialmente, conhecia-se somente o neutrino do elétron. O neutrino do múon foi descoberto em 1962 e o neutrino do tau apenas em 2000."
Oscilação dos neutrinos
Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
O observatório de neutrinos IceCube, com sensores mergulhados em furos que atingem até 2,5 km de profundidade no gelo eterno da Antártica, recentemente descobriu uma nova classe de neutrinos super-energéticos, que ainda aguarda por mais explicações. [Imagem: IceCube/Divulgação]
A hipótese da oscilação, isto é, da mudança de "sabor" por meio da qual um neutrino se transforma em outro, foi a resposta encontrada para uma grave anomalia que se tornou conhecida com o desenvolvimento dos processos experimentais. Essa anomalia foi constatada já no final da década de 1960, em um experimento realizado na mina de Homestake, nos Estados Unidos. Destinado a detectar e contar os neutrinos do elétron provenientes do Sol recebidos no local, o experimento mostrou que esse número era apenas um terço do esperado. Era como se os neutrinos solares estivessem desaparecendo.
"Na verdade, o ocorrido foi uma mudança de sabor. Mas isso não se sabia na época. O neutrino e suas propriedades foram sendo descobertos aos poucos. Apesar de extremamente abundantes, e de estarem presentes por toda parte desde o início do universo, ignoramos por muito tempo sua existência. Os neutrinos estão para a física de partículas assim como os micróbios para a medicina. Durante milênios interagimos com os micróbios sem saber que eles existiam", comentou Renata.
Foi essa anomalia entre o número de neutrinos esperado e o número de neutrinos contabilizado que motivou, nos anos 1990, o experimento Super-Kamiokande, coordenado por Kajita. Esse experimento, realizado em um detector gigantesco, com 50 mil toneladas de água, foi desenhado para medir neutrinos solares (gerados pelos processos de fusão nuclear que ocorrem no núcleo do Sol) e também neutrinos atmosféricos (resultantes do choque dos raios cósmicos com as partículas existentes na atmosfera terrestre).
"O extraordinário no experimento do Super-Kamiokande é que ele tem direcionalidade. O detector é capaz de medir neutrinos a partir da direção da qual provêm, desde os neutrinos vindos da posição acima do detector até os neutrinos vindos do outro lado da Terra", afirmou Renata.
"A grande surpresa foi descobrir que o número de neutrinos variava com a direção. Isso também podia ser interpretado como uma dependência em relação à distância. Porque os neutrinos atmosféricos que vêm de cima do detector têm que percorrer cerca de 15 quilômetros (que é a altitude na qual os raios cósmicos interagem com a atmosfera) enquanto que os neutrinos provenientes do outro lado da Terra têm que percorrer 15 quilômetros mais 12 mil quilômetros (que é o tamanho do diâmetro da Terra)".
A descoberta feita pelos japoneses podia ser muito bem explicada pela oscilação do neutrino do múon em um outro tipo de neutrino, na época ainda não observado: o neutrino do tau. Esse resultado foi apresentado por Kajita em uma conferência realizada no Japão em 1998. "Ele não apenas chefiou o experimento como fez a análise dos resultados obtidos", relatou a pesquisadora.
Neutrinos solares
Entenda a massa dos neutrinos que rendeu o Nobel de Física
O metro cúbico mais frio do Universo é outro experimentos caçador de neutrinos que está tentando desvendar a antimatéria. [Imagem: Cuore/Laboratório Nacional Gran Sasso]
Depois disso, foi realizado o experimento do McDonald para explicar a anomalia descoberta em Homestake, no final da década de 1960, na contagem dos neutrinos solares. "Este novo experimento foi realizado na mina de Sudbury, no Canadá, que, aliás, pertence atualmente à empresa Vale do Rio Doce. Ele foi concebido especialmente para medir neutrinos solares. E observou a transformação de neutrinos do elétron (os únicos produzidos nas reações de fusão nuclear do Sol) em neutrinos do múon e neutrinos do tau", detalhou Renata.
A primeira implicação dessas duas descobertas, a do Super-Kamiokande e a de Sudbury, é que o neutrino tem massa. Uma massa extremamente pequena e que ainda não se sabe quanto vale, mas que existe. A segunda implicação é que se trata de um fenômeno quântico, da escala subatômica, que está sendo observado a partir de efeitos macroscópicos, por meio de detectores enormes.
"Além disso, como o neutrino têm o dom da ubiquidade e é produzido pelos mais variados processos, as descobertas de Kajita e McDonald provocaram um enorme interesse pelos neutrinos e uma reavaliação de tudo o que se sabia sobre o papel deles na física de partículas, nos processos estelares, na evolução do universo etc. Todas essas teorias foram revisitadas desde então. Ainda não podemos prever consequências tecnológicas. Mas nada impede que isso possa ocorrer no futuro", concluiu Renata.

Essa linha de pesquisas tornou-se tão importante que hoje existe uma área de estudos conhecida como física dos neutrinos.

Refrigeração sem energia devolve calor ao espaço

Meio ambiente

Refrigeração sem energia devolve calor ao espaço

Refrigeração passiva devolve calor ao espaço
A estrutura esculpida em sílica é totalmente transparente à luz visível. [Imagem: Linxiao Zhu et al. - 10.1073/pnas.1509453112]
Mandar o calor para o espaço
Em 2014, uma equipe da Universidade de Stanford, nos EUA, criou um revestimento cristalino capaz de enviar o calor de volta para o espaço, essencialmente uma técnica de "resfriamento passivo", que resfria sem gastar energia.
Agora a mesma equipe aplicou seus cristais a estruturas similares a células solares, mostrando que o revestimento resfria a célula solar sem impedir a passagem da luz visível que é transformada em eletricidade.
Ao enviar o calor de volta ao espaço, irradiando luz infravermelha numa faixa para a qual a atmosfera terrestre é transparente, a célula solar tem seu funcionamento otimizado, aumentando sua eficiência.
O revestimento cristalino é criado produzindo ranhuras micrométricas em uma placa de óxido de silício de 500 micrômetros de espessura - o resultado é um vidro finíssimo e transparente.
Além de não reduzir a quantidade de luz que chega à célula solar, o revestimento reduziu sua temperatura em 13º C, o que ainda gera um ganho de 1% na eficiência da célula solar.
Como resfriar o carro
Os resultados deixaram os pesquisadores entusiasmados com o uso de sua técnica de resfriamento passivo em outras aplicações, incluindo o resfriamento de edifícios e automóveis. Tudo baseado em mandar o calor para o espaço.
Nos automóveis, por exemplo, o revestimento, por ser transparente, poderá fazer seu trabalho de refrigeração passiva sem atrapalhar a cor do carro.
"Digamos que você tenha um carro que é vermelho brilhante," explica o pesquisador Linxiao Zhu. "Você realmente gosta dessa cor, mas você também gostaria de tirar proveito de qualquer coisa que pudesse ajudar no arrefecimento do seu veículo durante os dias quentes. Revestimentos térmicos podem ajudar como refrigeração passiva, mas será um problema se eles não forem totalmente transparentes."
"O frio do universo é um recurso termodinâmico gigantesco, mas surpreendentemente pouco explorado," escreve a equipe em seu artigo. "Portanto, sua utilização direta na Terra representa uma importante fronteira para a pesquisa de energias renováveis".

Bibliografia:

Radiative cooling of solar absorbers using a visibly transparent photonic crystal thermal blackbody
Linxiao Zhu, Aaswath P. Raman, Shanhui Fan
Proceedings of the National Academy of Sciences
Vol.: Published online before print
DOI: 10.1073/pnas.1509453112

omputação quântica básica feita em silício pela primeira vez

Eletrônica

Computação quântica básica feita em silício pela primeira vez

Computação quântica básica feita em silício pela primeira vez
Ilustração artística dos dois transistores de silício funcionando como qubits, baseados em um único elétron em cada transístor. [Imagem: Tony Melov/UNSW]
Qubits de silício
As peças principais para montar um computador quântico super-rápido estão quase prontas para sair da oficina.
Pela primeira vez, pesquisadores demonstraram que dois transistores de silício que operam como bits quânticos - qubits - podem executar cálculos. Agora é só uma questão de usá-los como os tijolos para construir um computador quântico maior, usando o material que é onipresente na eletrônica convencional.
Cálculos com qubits feitos até agora têm usado supercondutores ultra-frios, que são mais fáceis de juntar para formar uma calculadora básica - mas nunca com o bem conhecido, barato e amigável silício. No silício, os qubits precisam ser isolados para se manterem estáveis, o que é uma barreira para fazer com que dois ou mais deles interajam para realizar os cálculos.
Agora, Menno Veldhorst e seus colegas da Universidade de Nova Gales do Sul, na Austrália, conseguiram superar essa dificuldade.
Porta lógica quântica
O componente mede o spin de dois elétrons e segue as instruções: se o primeiro estiver girando em uma direção particular, inverta o spin do segundo elétron. Se não, não faça nada.
Computação quântica básica feita em silício pela primeira vez
Microfotografia da porta lógica quântica, com as legendas mostrando seu princípio de funcionamento. [Imagem: Menno Veldhorst et al. - 10.1038/nature15263]
Este é um exemplo de uma porta lógica, uma unidade fundamental em um computador. Repetir essa mesma lógica simples, criando sequências de portas, permite realizar cálculos mais e mais complexos - é assim que todos os processadores eletrônicos funcionam.
"Nós transformamos esses transistores de silício em bits quânticos ao garantir que cada um tem apenas um elétron associado. Em seguida, armazenamos o código binário de 0 ou 1 no spin do elétron, o qual está associado com um pequeno campo magnético do elétron," explicou Veldhorst.
Integração em larga escala
"Este é um avanço seminal no mundo do desenvolvimento dos computadores quânticos - com algumas ressalvas," comentou o professor Thomas Schenckel, do Laboratório Berkeley, nos EUA, que não está envolvido com o trabalho.
A principal ressalva, diz ele, é que, embora seja mais fácil construir versões maiores e mais complexas, "qubits baseados em silício ainda estão atrás dos qubits supercondutores" em termos de eficiência.
Mas isso não diminui o potencial deste avanço. "Nada supera o que podemos fazer em silício em termos de escalonamento econômico e integração em larga escala," reconhece Schenkel.

Bibliografia:

A two-qubit logic gate in silicon
Menno Veldhorst, C. H. Yang, J. C. C. Hwang, W. Huang, J. P. Dehollain, J. T. Muhonen, S. Simmons, A. Laucht, F. E. Hudson, K. M. Itoh, A. Morello, A. S. Dzurak
Nature
Vol.: Published online
DOI: 10.1038/nature15263

Telas 3D no estilo "De Volta para o Futuro"

Informática

Telas 3D no estilo "De Volta para o Futuro"

Telas 3D no estilo
Os trixels já vêm montados em módulos de 12 x 9, aqui mostrados ao lado de cubos mágicos para referência das dimensões. [Imagem: TriLite]
Dia de voltar para o futuro
No ano passado, engenheiros da Universidade de Viena apresentaram o seu "trixel", um pixel 3D a laser que promete projeções holográficas ao ar livre.
A equipe agora está aproveitando o "Dia De Volta para o Futuro" para apresentar a nova versão do trixel, já com um aspecto bem mais entusiasmador do que o protótipo em escala de laboratório original.
O "Dia De Volta para o Futuro" é uma referência a 21 de Outubro de 2015, data em que Marty McFly chega ao futuro, no filme "De Volta para o Futuro 2" - ele parte de 1985.
Embora o filme não fosse muito profético em termos de maravilhas tecnológicas futurísticas, destacam-se o skate voador e a projeção holográfica que anunciava o filme "Tubarão 19" e que quase mata McFly de susto.
A intenção de Jorg Reitterer e seus colegas é viabilizar no presente - ou em um futuro próximo - projeções desse tipo. Embora o futuro tenha chegado antes do que a tecnologia, a equipe está entusiasmada com seu progresso.
Telas 3D no estilo
Este é um trixel, contendo o MEMS óptico e os lasers coloridos para gerar as imagens. [Imagem: TriLite]
Trixel
O pixel 3D usa um conjunto de microespelhos móveis para projetar diferentes imagens em cada direção, permitindo a geração de efeitos tridimensionais realísticos sem a necessidade do uso de óculos especiais.
Os espelhos, que formam um sistema microeletromecânico (MEMS), dirigem os feixes de laser ao longo do campo de visão, da esquerda para a direita, alterando a informação sobre a imagem durante o movimento. Assim, diferentes imagens podem ser enviadas para os olhos direito e esquerdo dos espectadores.
O segundo protótipo já é totalmente colorido, um avanço essencial em relação à versão monocromática original. Cada trixel tem três emissores de laser (vermelho, verde e azul) e agora eles já vêm montados em módulos de 12 x 9 trixels.
"O software para controlar os módulos e mostrar os filmes já está em desenvolvimento," disse Reittrer, prometendo que "nós poderemos pegar qualquer filme 3D na prateleira e apresentá-lo em nossa tela."

A equipe fundou a TriLite Technologies para comercializar a tecnologia.

A fonte de luz mais estável do mundo

Espaço

A fonte de luz mais estável do mundo

A fonte de luz mais estável do mundo
Esta é a fonte de luz mais estável do mundo, e será usada para calibrar telescópios que irão procurar exoplanetas do tamanho da Terra. [Imagem: Samuel Rihs/Universidade de Genebra]
Piscar das estrelas
Quanto mais fraca for a luz que se quer detectar, ou quanto maior for a precisão necessária para aferir a emissão de uma fonte de luz, maior deve ser a estabilidade do feixe de luz de referência usado para avaliar a eficiência do dispositivo que estiver sendo construído ou testado.
Este é o caso do detector de luz do Observatório Espacial Cheops, um telescópio que está sendo construído pela Suíça, e que deverá ser lançado em 2017.
O objetivo é que o Cheops consiga detectar a luz de exoplanetas de dimensões comparáveis às da Terra. Para isso, ele deve medir a menor variação de luz possível de cada estrela, variação esta gerada quando um pequeno planeta passa à sua frente. Os instrumentos atuais têm precisão suficiente apenas para detectar planetas do tipo gigantes gasosos, do tamanho de Júpiter ou Saturno.
Fotômetro
Ao construir o sensor de luz do telescópio, os pesquisadores da Universidade de Berna deram-se conta de que não existia um instrumento capaz de produzir uma luz com uma estabilidade suficiente para ser usada como referência para aferir a precisão do telescópio.
Então François Wildi e seus colegas construíram um, um fotômetro capaz de medir a luminosidade de uma fonte de luz - neste caso uma estrela - com uma precisão inédita de 0,002%.
Esta precisão é 10 vezes superior à exigida pelo próprio observatório, o que é necessário para aferir a validade dos dados do instrumento.
Encomenda da NASA
O ganho de precisão foi possível criando um ajuste para a intensidade do feixe de luz. Ativando o que os pesquisadores suíços chamam de "dedo móvel", que obscurece mais ou menos o feixe de luz, torna-se possível ajustar sua intensidade e, por decorrência, sua estabilidade.

Assim que apresentou seus resultados em um congresso, a equipe recebeu a encomenda de pelo menos mais um aparelho igual ao seu, que será utilizado na missão TESS, um outro telescópio caçador de exoplanetas que está sendo construído pela NASA.

Refrigeração líquida vai para dentro dos processadores

Informática

Refrigeração líquida vai para dentro dos processadores

Refrigeração líquida vai para dentro dos processadores
Os pesquisadores trabalharam com um circuito integrado comprado no comércio, demonstrando a viabilidade da adoção imediata da técnica de refrigeração líquida interna.[Imagem: Rob Felt/Georgia Tech]
Calor interno
Engenheiros conseguiram integrar pela primeira vez a refrigeração líquida diretamente dentro de um chip.
A refrigeração líquida de computadores é uma técnica antiga, mas até agora era baseada na retirada do calor da superfície dos chips por meio de trocadores de calor metálicos.
Agora, o líquido de arrefecimento vai por meio de microcanais escavados no próprio silício a até algumas centenas de micrômetros do ponto onde os transistores estão funcionando e emitindo calor, efetuando uma refrigeração muito mais eficiente.
Muhannad Bakir e Thomas Sarvey, da Universidade de Tecnologia da Geórgia, nos EUA, introduziram a refrigeração líquida no interior de um chip FPGA (Field-Programmable Gate Array), um tipo de circuito integrado de múltiplos usos, projetado para ser reprogramado depois de pronto.
"Acreditamos ter eliminado uma das maiores barreiras à construção de sistemas de alto desempenho que sejam mais compactos e mais energeticamente eficientes," disse Bakir.
Refrigeração líquida no chip
Trabalhando com um chip construído com a tecnologia de 28 nanômetros pela Altera, os pesquisadores registraram temperaturas 60% mais baixas do que as obtidas pela refrigeração a ar tipicamente usada nesses circuitos integrados.
Eles arrancaram a porção superior do chip, escavaram nela os microcanais para passagem da água, anexaram os bocais de entrada e saída, e colaram novamente a pastilha no chip.
Com a água entrando a uma temperatura de 20º C e uma taxa de fluxo de entrada de 147 mililitros por minuto, o FPGA com refrigeração líquida funcionou a uma temperatura inferior a 24º C, em comparação com os 60 graus Celsius do mesmo chip resfriado a ar.

"Nós eliminamos o dissipador de calor de cima do chip de silício movendo a refrigeração líquida para apenas algumas centenas de micrômetros distante dos transistores. Acreditamos que a integração confiável do arrefecimento microfluídico diretamente no silício será uma tecnologia disruptiva para uma nova geração de produtos eletrônicos," finalizou.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Como diminuir o ruído das turbinas eólicas

Meio ambiente

Como diminuir o ruído das turbinas eólicas

Como diminuir o ruído das turbinas eólicas
Técnico instala os painéis serrilhados na pá de um gerador eólico. [Imagem: WindTrust Project]
Barulho dos geradores eólicos
Quem já visitou um parque de geração de energia eólica sabe o quanto a paisagem de aparência bucólica é na verdade dominada por um ruído assombroso.
Sim, turbinas eólicas giram lentamente, mas fazem muito barulho, o que tem impedido a adoção da tecnologia em regiões mais próximas a áreas residenciais.
Engenheiros europeus, reunidos no Projeto Windtrust, acreditam ter encontrado, se não a solução definitiva, pelo menos uma forma de minimizar essa poluição sonora.
A saída consiste em instalar painéis plásticos em formato de serra no bordo de fuga das pás dos geradores, com os dentes apontando na direção oposta ao movimento.
"Estes serrilhados funcionam como dispositivos de controle de fluxo, com foco na diminuição da emissão de ruído das pás. Seu design leve e processo de montagem simples os torna uma opção atraente não só para novas turbinas, mas também para as que já estão instaladas," disse Jasper Madsen, membro do consórcio.
Configuração ideal
Hoje, para minimizar o ruído as pás precisam ser desligadas quando o vento está em determinadas direções, já que o barulho se afunila na sua parte traseira, ou a turbina deve ser configurada em modo silencioso - ou seja, duas medidas que reduzem a capacidade de geração de energia da turbina.

"Em parques eólicos em áreas com restrição de ruído, as turbinas equipadas com esta tecnologia poderão trabalhar em uma configuração ideal, com a maior geração anual de energia," disse Madsen.

Novo fenômeno caminha na fronteira entre eletrônica e computação quântica

Eletrônica

Novo fenômeno caminha na fronteira entre eletrônica e computação quântica

Novo fenômeno caminha na fronteira entre eletrônica e computação quântica
[Imagem: Yu-Chuan Lin et al. - 10.1038/ncomms8311]
Resistência diferencial negativa
A descoberta de um novo fenômeno promete impulsionar o desenvolvimento de nanocomponentes computacionais que estão na fronteira entre a miniaturização da eletrônica atual e o nascimento da computação quântica.
O fenômeno, batizado de "resistência diferencial negativa", foi identificado em pilhas de camadas atômicas de materiais promissores chamados "metais de transição dicalcogenetos" - uma classe de materiais mais conhecida pelamolibdenita, à qual pertencem o dissulfeto de molibdênio (MoS2) e o dissulfeto de tungstênio (WS2).
A resistência diferencial negativa é um fenômeno de transporte único, no qual os elétrons, devido à sua natureza de onda, tunelam - ou atravessam - camadas de materiais sólidos de diferentes resistências elétricas.
A expectativa é que esse tunelamento permita a construção de "transistores perfeitos" em camadas monoatômicas de molibdenita.
Picos e vales
Quando Yu-Chuan Lin e seus colegas da Universidade do Texas em Dallas começaram a medir a passagem da corrente elétrica através do sanduíche de dicalcogenetos, eles esperavam ver um gráfico mostrando uma subida constante da corrente.
Em vez disso, o que ocorre é um pico, logo seguido por um vale, revelando nada menos do que uma versão 2D - monoatômica - de um diodo de tunelamento. Esse diodo tanto pode vir a se tornar a metade de um nanotransístor, como um componente básico para a computação quântica.
E tudo funcionando a temperatura ambiente.
Além da medição do novo fenômeno, a grande vantagem é que as camadas empilhadas de molibdenita foram cultivadas de baixo para cima.
"Esta pesquisa é a primeira a demonstrar uma forma prática de fabricar componentes nanoeletrônicos com uma camada atômica por vez, em vez de empilhar mecanicamente as camadas," disse Moon Kim, membro da equipe.

Bibliografia:

Atomically thin resonant tunnel diodes built from synthetic van der Waals heterostructures
Yu-Chuan Lin, Ram Krishna Ghosh, Rafik Addou, Ning Lu, Sarah M. Eichfeld, Hui Zhu, Ming-Yang Li, Xin Peng, Moon J. Kim, Lain-Jong Li, Robert M. Wallace, Suman Datta, Joshua A. Robinson
Nature Communications
Vol.: 6, Article number: 7311
DOI: 10.1038/ncomms8311

Os brasileiros que estão ajudando a fazer a Revolução Fotônica

Informática

Os brasileiros que estão ajudando a fazer a Revolução Fotônica

Os brasileiros que estão ajudando a fazer a
Este é primeiro processador de luz multiuso à base de silício, que deverá revolucionar todas as pesquisas rumo aos computadores quânticos.[Imagem: Universidade de Bristol]
Nanofotônica
Computadores, tablets, celulares e aparelhos eletrônicos em geral estão prestes a sofrer uma transformação movida pela luz.
Embora, na aparência, eles não deverão ser muito diferentes, seu funcionamento será mais rápido e consumirá menos energia elétrica graças a um novo conjunto de tecnologias que permite substituir a eletricidade pela luz dentro dos chips.
Novas tecnologias para manipular a luz na escala microscópica já estão permitindo a construção dos primeiros chips nanofotônicos de silício.
Assim como os chips de silício convencionais, os nanofotônicos são feitos de peças eletrônicas microscópicas.
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O professor Gustavo Wiederhecker participou da equipe que construiu um nanorrelógio de luz e silício, uma ferramenta essencial no interior dos circuitos fotônicos. [Imagem: Zhang et al.]
A diferença crucial dos chips nanofotônicos em relação aos atuais chips de silício é que, em vez de serem integrados por circuitos de fios metálicos, responsáveis por transmitir os sinais elétricos, os componentes do novo chip se comunicam por meio de sinais de luz - mais especificamente, de luz laser. A vantagem dos sinais luminosos sobre os elétricos é transportar mais informação mais rapidamente. Nos chips nanofotônicos, a troca de informações deve ocorrer quase sem a conversão de energia elétrica em calor.
Chips com elementos nanofotônicos já fazem parte dos programas de pesquisa de multinacionais da área de eletrônica e existem vários na fase de protótipos. Quando estiverem prontos para serem comercializados, deverão beneficiar, no início, supercomputadores dos principais centros de dados do mundo.
"Há ainda problemas de física básica e de engenharia para resolver," explica o professor Gustavo Wiederhecker, físico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) que estuda a interação da luz com materiais nanométricos. "Mas, em algum momento, o custo de produção vai baixar e a nanofotônica poderá entrar no cotidiano das pessoas."
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O professor Paulo Nussenzveig participou do trabalho que mostrou a possibilidade de criar um "campo magnético" para a luz. [Imagem: Lawrence D. Tzuang et al. - 10.1038/nphoton.2014.177]
Laser no chip
"Os avanços recentes da nanofotônica são impressionantes, mas nada disso é tão revolucionário quanto o laser," explica Paulo Nussenzveig, físico da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em óptica quântica.
Tentando explorar fenômenos quânticos da luz em chips nanofotônicos, Nussenzveig colabora desde 2012 com a equipe da professora Michal Lipson, da Universidade Colúmbia, Estados Unidos, uma das mais produtivas no campo doscircuitos de luz e computadores fotônicos.
No ano passado, o grupo publicou um artigo na revista Nature Photonics demonstrando como um efeito magnético quântico poderia ser usado para guiar a luz por um canal microscópico em um chip de silício. "O laser foi a mudança de paradigma que permitiu o desenvolvimento de todas as tecnologias que o seguiram", diz Nussenzveig.
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Três pesquisadores brasileiros participaram da criação de um diodo de luz dentro de um chip de silício. [Imagem: ITA/DCTA]
Fotônica na Medicina
Os pesquisadores estimam que a integração microscópica da eletrônica com o laser permitirá a miniaturização também de equipamentos que usam a luz para exames médicos e análises químicas. Atualmente, a maioria desses aparelhos é utilizada em laboratórios, mas o uso de chips fotônicos combinados a outras tecnologias pode permitir o desenvolvimento de equipamentos mais baratos e portáteis, que possam ser transportados para qualquer lugar.
"Alguns obstáculos ainda impedem que essa tecnologia se torne realidade, mas eles vêm sendo contornados rapidamente," avalia Vilson R. Almeida, pesquisador que estuda aplicações da fotônica em sensoriamento biológico e aeroespacial no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e no Instituto de Estudos Avançados (IEAv).
Almeida e mais dois brasileiros participaram de uma equipe internacional que desenvolveu um componente capaz de transmitir luz em apenas uma direção - um diodo óptico. O trabalho foi capa da revista Nature Materials, em 2013.
Um desses obstáculos, Almeida explica, é o uso do silício como base dos chips eletrônicos e fotônicos comerciais. Apesar de transmitir bem a luz, o silício não gera nem detecta luz de modo eficiente. "Já se demonstrou que existem soluções como o uso de materiais híbridos, que estão sendo aperfeiçoados e devem se tornar disponíveis comercialmente em até três anos," prevê. Mais recentemente, a descoberta de uma nova propriedade fotônica no silício trouxe mais entusiasmo à área.
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O professor Lázaro Padilha ajudou a criar um LED 40 vezes mais eficiente usando pontos quânticos. [Imagem: Wan Ki Bae et al./NatComm]
Células solares e LEDs
Um dos nanomateriais mais promissores a serem integrados aos chips nanofotônicos de silício são os chamados pontos quânticos, especialidade do físico Lázaro Padilha, da Unicamp, que ajudou a criar um LED 40 vezes mais eficiente.
Pontos quânticos são pequenos grãos, com menos de 10 nanômetros de diâmetro, feitos de diversos materiais semicondutores. Ajustando o tamanho e as propriedades do material de que são feitos, os pontos quânticos podem transformar eletricidade em luz e funcionar como potentes lâmpadas de LED microscópicas - monitores de telas planas de altíssima resolução feitos de pontos quânticos foram lançados recentemente pela indústria eletrônica.

Fazendo outros ajustes, os pontos quânticos também podem realizar a operação inversa: transformar luz em eletricidade, funcionando como minúsculos painéis solares. "Costumo dizer aos meus estudantes que a célula solar e o LED são o mesmo animal, mas de ponta-cabeça", diz Padilha. "Daqui a 20 ou 30 anos, o telhado e as janelas das casas, o capô dos carros, tudo será coberto por uma camada de materiais que funcionarão como painéis solares microscópicos de alta eficiência, convertendo a luz do sol em energia elétrica".

IBM viabiliza transistores de nanotubos de carbono

Eletrônica

IBM viabiliza transistores de nanotubos de carbono

IBM viabiliza transistores de nanotubos de carbono
Esquema dos transistores de nanotubos de carbono, que avançaram a miniaturização para a faixa de 1,8 nanômetro. [Imagem: IBM Research]
Nanotransistores
Os esforços de US$3bi da IBM para chegar à era pós-silício deram novos resultados práticos.
Há poucos meses, a empresa anunciou ter conseguido integrar semicondutores futurísticos em chips de silício. Logo em seguida, em parceria com a Samsung, a empresa empurrou a fronteira atual da miniaturização da eletrônica, alcançando afaixa dos 7 nanômetros.
Agora foi dado um passo importante para substituir os transistores de silício por nanotubos de carbono- para quem não se lembra, os nanotubos de carbono já foram tão famosos quanto o grafeno, mas os progressos na sua utilização prática estão sendo mais lentos do que se esperava.
Transístor de nanotubo
Os engenheiros da IBM conseguiram miniaturizar os contatos elétricos que chegam aos componentes sem diminuir o desempenho do transístor de nanotubo, abrindo o caminho para a construção de processadores e chips em geral com uma capacidade muito superior aos atuais.
Os ganhos são tão grandes que permitem levar a tecnologia da microeletrônica para o nível de 1,8 nanômetro, quatro gerações tecnológicas à frente da atual.
Além de menores e mais rápidos, os transistores de nanotubos de carbono consomem menos energia e dissipam menos calor, além de serem mais resistentes aos vazamentos de corrente e às interferências que estão impedindo o aumento de velocidade dos microprocessadores - foi esse gargalo que levou à atual tendência de construção de processadores com múltiplos núcleos, já que não é possível acelerar cada núcleo individualmente, como ocorreu durante quase 25 anos.
IBM viabiliza transistores de nanotubos de carbono
O nanotubo de carbono liga-se quimicamente aos contatos metálicos que transportam a eletricidade dentro dos chips. [Imagem: IBM Research]
Transistores de carbono
Nos transistores de carbono, os elétrons podem se mover mais facilmente do que nos componentes de silício, e as dimensões ultrafinas dos nanotubos - e dografeno - proporcionam vantagens adicionais na escala atômica.
Dentro de um chip, os contatos são como válvulas que controlam o fluxo dos elétrons do metal para dentro dos canais do transístor, que é semicondutor.
Conforme os transistores diminuem de tamanho, a resistência elétrica desses contatos aumenta exponencialmente, o que impede qualquer otimização de desempenho. Até agora, diminuir o tamanho dos contatos causava uma queda estrondosa no desempenho - quer seja nos transistores de silício, quer seja nos de nanotubos ou de grafeno.
Os pesquisadores da IBM inventaram um novo processo metalúrgico para fabricar os contatos, uma espécie de solda microscópica, que liga quimicamente os átomos do metal dos contatos elétricos aos átomos de carbono nas extremidades dos nanotubos. Este esquema "ligado pelas pontas" permite que os contatos sejam miniaturizados abaixo dos 10 nanômetros sem perda no desempenho dos transistores de nanotubos de carbono.

Bibliografia:

End-bonded contacts for carbon nanotube transistors with low, size-independent resistance
Qing Cao, Shu-Jen Han, Jerry Tersoff, Aaron D. Franklin, Yu Zhu, Zhen Zhang, George S. Tulevski, Jianshi Tang, Wilfried Haensch
Science
Vol.: 350 no. 6256 pp. 68-72
DOI: 10.1126/science.aac8006