sexta-feira, 17 de maio de 2024

A proteção dos oceanos evita a mudança climática

 

GenV

A saúde de oceanos e rios é certamente uma importante preocupação ambiental por causa: da poluição por plástico, da diminuição de vida aquática, da extinção de algumas espécies de cetáceos (baleias e golfinhos), da ameaça de extinção para várias espécies, da degradação da paisagem, das mudanças climáticas, das zonas mortas nos oceanos, etc. O que muitas vezes não se fala é que o consumo de peixe é uma causa central de cada um desses problemas.

O plástico é um dos principais elementos poluidores dos mares. Embora muitos culpem os canudos e as cápsulas descartáveis de café, o principal causador dessa poluição é a indústria pesqueira. Um relatório de 2019 descobriu que equipamentos de pesca descartados no mar constituem a maior parte do plástico presente nos oceanos. Mais de 640 mil toneladas de redes, linhas, recipientes e armadilhas poluem as águas, o que equivale a 55 mil ônibus de dois andares. Quando compramos peixe, estamos recompensando e incentivando essa forma de poluição, mesmo que involuntariamente. No Brasil, estima-se que cerca de 580 quilos de materiais de pesca são jogados no oceano por dia.

Calcula-se que 69 mil animais são capturados a cada dia por esses materiais descartados nas águas brasileiras. O boto-cor-de-rosa e outras espécies de água doce e salgada já são consideradas ameaçadas por esse problema.

Contém imagens perturbadoras.

Diversas evidências apontam para um declínio catastrófico no número de peixes de água doce. Oitenta espécies já foram extintas, 16 apenas em 2020, sendo que um terço de todas as espécies estão ameaçadas. Nos últimos 50 anos, a população de peixes migratórios teve uma redução de três quartos e, no mesmo período, a população de espécies maiores diminuiu 94%. Diminuição semelhante tem sido observada em espécies oceânicas, com quase 90% da população de peixes marinhos do mundo consideradas “totalmente exploradas”, “superexploradas” ou “esgotadas”.

O que está acontecendo? Trata-se de um efeito duplo e devastador: a ação humana provocou o aquecimento dos oceanos por meio das emissões de gases de efeito estufa que afetam o clima (em grande parte impulsionadas pelo consumo de produtos de origem animal), além disso, matamos bilhões de peixes para consumo desnecessariamente, uma vez que não precisamos nos alimentar de peixe para sobreviver.

Um aspecto preocupante da pesca é que se trata de uma prática realizada de maneira indiscriminada. Redes enormes, algumas grande o suficiente para envolver dez aviões 747 da Boeing, são arrastadas pelos mares e engolem todos os animais em seu caminho. Cerca de 300 mil baleias e golfinhos50 milhões de tubarões e centenas de milhares de tartarugas já ameaçadas de extinção são mortos por essa indústria imprudente. O golfinho de Maui e a baleia-franca-do-Atlântico-Norte são apenas dois exemplos de espécies que estão sendo levadas à extinção pela indústria pesqueira.

Contém imagens perturbadoras.

Um relatório de 2019 revelou que proteger grandes animais marinhos é na verdade mais importante para o clima do que plantar árvores porque esses animais acumulam carbono em seus corpos ao longo da vida, de modo que o carbono permanece preso com eles no fundo do oceano quando morrem. Quando os capturamos e matamos aos milhões, como acontece ao arrastarmos grandes redes pelos mares, agravamos ainda mais esse problema já muito sério.

Pode ser surpreendente para muitas pessoas, mas o fundo dos oceanos não é plano. Existem cerca de 50 mil montanhas submersas, que se elevam um quilômetro ou mais acima do fundo do mar, bem como montes e outras elevações. Mas a pesca de arrasto os destrói, acabando com hábitats de várias espécies e alterando a paisagem permanentemente. Os recifes de coral são particularmente vulneráveis a esse tipo de pesca.

O pesquisador Jason Hall-Spencer, da Universidade de Plymouth, afirma: “Seja qual for o oceano, esses hábitats estão sendo destruídos por frotas pesqueiras internacionais”.

Existem mais de 550 zonas mortas nos oceanos atualmente. São  grandes áreas onde a poluição causou grave perda de oxigênio, de tal maneira que nenhum animal pode sobreviver. Segundo pesquisadores, a grande maioria dessas zonas é gerada pela poluição agrícola e industrial, sendo a indústria da carne uma das principais causadoras. Os bilhões de animais criados pela pecuária produzem excrementos, que em forma de lama causam esse dano. A quantidade de dejetos é tão grande que se espalha pela terra e vaza dos enormes tonéis quando armazenados. Ao atingir rios e oceanos, causam devastação total. Por isso, comer carne de animais terrestres é tão ruim para os oceanos quanto comer peixe.

Sabemos que a newsletter de hoje parece trazer uma notícia ruim após a outra. Mas todos esses problemas têm uma única causa, o que significa que é preciso fazer apenas uma coisa para corrigi-los. E isso é uma boa notícia, não é mesmo?

Uma descoberta incrível é que a folha de alga nori (a mesma usada em temakis) dá um sabor de peixe às mais diferentes receitas. Sim, você pode proteger os oceanos e continuar comendo moqueca, basta fazer a versão vegana. Confira essa receita e aproveite!

Procurando um bom filme para assistir? Recomendamos fortemente o documentário Seaspiracy, que apresenta questões ambientais, de sustentabilidade e de direitos humanos associadas à indústria pesqueira. É comovente e nos estimula a agir para proteger os oceanos.

Parabéns pelo compromisso com o planeta ao ler essas informações até aqui e por estar disponível para mudar seus hábitos e proteger nossa única, linda e delicada casa. O mundo precisa de mais pessoas como você!

Equipe GenV
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