quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Brasileiros desenvolvem melanina para bioeletrônica

Brasileiros desenvolvem melanina para bioeletrônica

Brasileiros desenvolvem melanina para dispositivos bioletrônicos
Os transistores bioeletrônicos representam o passo final para a viabilização da conexão entre biologia e eletrônica. [Imagem: Jose Garrido]
Bioeletrônica
Pesquisadores brasileiros estão viabilizando o uso de uma substância biológica - a melanina - para a fabricação de componentes bioeletrônicos, interfaces que permitem conectar circuitos eletrônicos aos seres vivos.
"Todos os materiais que têm sido testados atualmente para aplicações em bioeletrônica são completamente sintéticos. Uma das grandes vantagens da melanina é que, sendo um composto totalmente natural e biocompatível com o corpo humano, tem potencial para ser usado em dispositivos para fazer a interface entre neurônios cerebrais e a eletrônica, por exemplo", explicou o professor Carlos Frederico Graeff, da Unesp de Bauru (SP).
O grande objetivo da bioeletrônica é a combinação de componentes eletrônicos e biológicos, de modo a desenvolver dispositivos implantáveis miniaturizados, capazes de alterar e controlar sinais elétricos no corpo humano.
Esse campo emergente saiu recentemente dos laboratórios e chegou às manchetes, quando o Google e a farmacêutica GlaxoSmithKline anunciaram uma associação para explorar essa área, considerada uma nova fronteira tanto pelo lado da eletrônica quanto da biologia.
Melanina biossintética
Um dos desafios para viabilizar o desenvolvimento dos dispositivos bioeletrônicos é identificar materiais que, além de apresentarem condutividade eletrônica (à base de elétrons), também possuam condutividade iônica (à base de íons), o modo de comunicação usado pelos neurônios. E que, além disso, sejam biocompatíveis com o corpo humano.
Graeff e seus colegas conseguiram desenvolver uma nova rota para sintetizar mais rapidamente a melanina, o composto polimérico que dá pigmentação à pele, olhos e cabelos dos mamíferos, e que possui tanto condutividade eletrônica quanto iônica.
Um dos desafios para utilizar a melanina na bioeletrônica é que o composto - assim como outros materiais à base de carbono, como o grafeno - tem baixa dispersão em meio aquoso, o que dificultava sua utilização na produção de filmes finos. Além disso, o processo convencional de síntese da melanina é complexo, com etapas difíceis de serem controladas, pode durar até 56 dias e ainda resultar em estruturas desordenadas.
A melanina biossintética obtida pelo novo processo apresenta boa dispersão em água e é muito semelhante à natural. O processo leva apenas algumas horas e é baseado em ajustes de parâmetros, como a temperatura, e na aplicação de uma pressão de oxigênio para promover a oxidação do material.
A pressão de oxigênio eleva a densidade no material do grupo carboxílico - composto por dois átomos de oxigênio ligados a um carbono, sendo um através de uma ligação dupla e outro através de uma ligação simples. Entre outras funções, esse grupo aumenta a solubilidade e a facilidade de se obter suspensões de melanina biossintética na água.
"Isso facilita bastante a obtenção de filmes finos de melanina com alta homogeneidade e qualidade", explicou Graeff.
Transistores bioeletrônicos
Por meio do aumento da densidade do grupo carboxílico, os pesquisadores também conseguiram tornar a melanina biossintética mais semelhante à biológica.
No processo de síntese natural da substância, que ocorre nos organismos vivos, há uma enzima que facilita a produção de ácidos carboxílicos. A nova rota de síntese da melanina consegue mimetizar quimicamente o papel dessa enzima e aumentar a densidade dos grupos carboxílicos.
"Temos conseguido obter por síntese química um material mais próximo do biológico e fazer filmes de qualidade muito boa para utilizá-los em dispositivos bioeletrônicos," afirmou Graeff.
Por meio de colaborações com instituições de pesquisa do Canadá, os pesquisadores brasileiros já começaram a usar a melanina biossintética para o desenvolvimento de contatos elétricos, sensores de pH e em células fotovoltaicas.
Mais recentemente, eles começaram a tentar desenvolver transistores.
"Nosso objetivo maior é obter transistores justamente para promover a junção da eletrônica com sistemas biológicos", disse Graeff.

Bibliografia:

Melanin synthesis under oxygen pressure
Erika Soares Bronze Uhle, João Vitor Paulin, Marina Piacenti Silva, Chiara Battocchio, Maria Luiza Miranda Rocco, Carlos Frederico de Oliveira Graeff
Polymer International
Vol.: 65, 11, 1339-1346

Novo diamante é mais duro que diamante

Novo diamante é mais duro que diamante

Lonsdaleíta
Os nanodiamantes hexagonais são produzidos dentro de uma bigorna de diamante, a uma temperatura de 400º C.[Imagem: Jamie Kidston/ANU]
Diamante superduro
diamante natural já não é mais o material mais duro que existe, mas talvez seja possível recuperar a coroa, perdida para os materiais sintéticos.
Thomas Shiell e seus colegas da Universidade Nacional Australiana acabam de sintetizar um novo tipo de diamante que é mais duro do que os diamantes normais.
Diamantes desse tipo só foram encontrados até hoje nas crateras de impacto de grandes meteoros - assim, apesar de ter sido sintetizado em laboratório, ele continua sendo considerado um material natural.
"Este novo diamante não vai parar em nenhum anel de casamento. É mais provável que você o veja em um local de mineração. Onde quer que você precise de um material superduro para cortar alguma coisa, este novo diamante tem o potencial para fazer isto mais rápido e mais facilmente," disse Jodie Bradby, coordenadora da equipe.
Lonsdaleíta
Usando uma bigorna de diamante, um aparelho usado para gerar pressões imensas, Shiell conseguiu sintetizar uma lonsdaleíta, uma forma hexagonal de carbono também já identificada na poeira interestelar.
"A estrutura hexagonal dos átomos destes diamantes torna-os muito mais duros do que os diamantes convencionais, que têm uma estrutura cúbica. Nós conseguimos produzi-los em nanoescala, e isto é entusiasmante porque geralmente, quando se trata desses materiais, menor significa mais forte," disse Bradby.
Os nanodiamantes já vêm sendo explorados para uso industrial, em equipamentos de corte e perfuração, seja em minas, poços de petróleo ou em ferramentas de desbaste para tornos e fresas.

Bibliografia:

Nanocrystalline hexagonal diamond formed from glassy carbon
Thomas B. Shiell, Dougal G. McCulloch, Jodie E. Bradby, Bianca Haberl, Reinhard Boehler, David. R. McKenzie
Nature Scientific Reports
Vol.: 6, Article number: 37232
DOI: 10.1038/srep37232

Como fazer softwares com menos bugs

Como fazer softwares com menos bugs

Erros de programação
É possível criar softwares com 100 vezes menos erros e vulnerabilidades do que os atuais, de acordo com cientistas da computação do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST) dos EUA.
Para chegar a esse nível de qualidade, eles recomendam que os programadores adotem algumas abordagens compiladas em uma nova publicação que está sendo distribuída gratuitamente.
O documento de 60 páginas é uma coletânea das mais recentes estratégias desenvolvidas por toda a indústria de software, empresas de segurança e pesquisadores para reduzir os bugs de software.
Casa Branca
Embora o relatório seja oficialmente uma resposta a uma solicitação feita pelo Escritório de Política Científica e Tecnológica da Casa Branca, o conteúdo pode ajudar qualquer um que pretenda criar um código de computador de alta qualidade e com poucos defeitos.
"Nós queremos que os programadores conheçam essas estratégias. Nós nos concentramos em incluir ideias novas sobre as quais eles provavelmente não tenham ouvido falar," disse o pesquisador Paul Black, coordenador do grupo de trabalho.
Diminuir o número de bugs de software traz muitas vantagens, como reduzir o número de travamentos dos computadores, de reinicializações que os usuários precisam fazer, para não mencionar a diminuição do número de atualizações que precisam baixar. O problema é que as vulnerabilidades são mais do que comuns nos programas - mesmo pequenos aplicativos têm centenas de bugs, de acordo com estimativas e avaliações citadas no relatório.
Técnicas para reduzir bugs de software
O documento centra-se em cinco conjuntos de abordagens, ferramentas e conceitos que podem ajudar a melhorar a qualidade dos programas. Apesar dos títulos em um jargão pesado, cada conjunto possui uma ideia, um princípio abrangente, que não é difícil de captar.
Em termos mais próximos do senso comum, essas abordagens incluem:
  • Usar linguagens de programação adequadas para a tarefa que o código precisará executar.
  • Usar ferramentas matemáticas para verificar se o código funcionará corretamente.
  • Dividir os programas em partes modulares de modo que, se uma parte falhar, o programa inteiro não trava.
  • Conectar ferramentas de análise de código que atualmente operam isoladamente.
  • Desenvolver táticas que possam ser alteradas e evoluir para proteger o código que seja alvo de ataques cibernéticos.
Também são fornecidas dezenas de referências com links para aprofundamento de cada tema específico citado no relatório.
O relatório, disponível apenas em inglês, intitulado Reduzindo Dramaticamente as Vulnerabilidades de Software, pode ser baixado gratuitamente.

Bibliografia:

Dramatically Reducing Software Vulnerabilities
Paul E. Black, Lee Badger, Barbara Guttman, Elizabeth Fong
DOI: 10.6028/NIST.IR.8151

sábado, 10 de dezembro de 2016

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Balões elétricos para nanomáquinas e medicina

Balões elétricos para nanomáquinas e medicina

Nanobalões viram máquinas controladas por eletricidade estática
O nanobalão nunca se enche realmente - ele murcha e volta ao seu estado normal, controlado eletrostaticamente. [Imagem: Umea University]
Máquinas moleculares
Balões infláveis não servem apenas para festas: versões mais resistentes são usadas para levantar grandes cargas, de automóveis até edifícios inteiros que estejam com problemas em suas fundações.
Hamid Barzegar e seus colegas da Universidade Umea, na Suécia, decidiram explorar esse mesmo conceito para construir nanobalões que possam executar trabalhos mecânicos diretamente ou no interior de nanomáquinas e de máquinas moleculares.
O "balão" é na verdade um único nanotubo de carbono fechado em uma das extremidades.
Barzegar descobriu que é possível murchar e reinflar o nanotubo usando não ar-comprimido, mas eletricidade estática.
Balões infláveis eletricamente
Na verdade, o nanobalão nunca se enche no sentido literal, de estar sendo preenchido por outra substância: a eletricidade estática, de alguns poucos volts, faz com que a estrutura redonda do nanotubo "colapse", mas sem se quebrar. Para fazê-lo "encher" novamente, basta desligar a energia.
Como não possui defeitos em sua constituição, o nanotubo pode ser enchido e esvaziado vezes sem conta, sem qualquer desgaste.
A equipe afirma que o conceito é interessante para uma ampla variedade de aplicações, incluindo nanomáquinas médicas que possam ser usadas abrir artérias obstruídas no interior do corpo humano.
"Numa perspectiva de longo prazo, também se pode imaginar nossas descobertas sendo utilizadas para o controle pneumático em nível molecular ou para projetar recipientes moleculares que possam se abrir ou fechar controlando a carga superficial das moléculas, por exemplo ajustando o pH da solução em que as moléculas estão dispersas. Isso poderia ser útil para aplicações médicas, para administrar medicamentos em órgãos internos ou tumores, por exemplo," acrescentou o professor Thomas Wagberg.

Bibliografia:

Electrostatically Driven Nanoballoon Actuator
Hamid Reza Barzegar, Aiming Yan, Sinisa Coh, Eduardo Gracia-Espino, Gabriel Dunn, Thomas Wagberg, Steven G. Louie, Marvin L. Cohen, Alex Zettl
Nano Letters
Vol.: 16 (11), pp 6787-6791
DOI: 10.1021/acs.nanolett.6b02394

Corante que brilha no escuro forma bateria líquida

Corante que brilha no escuro forma bateria líquida

Corante que brilha no escuro forma bateria líquida
[Imagem: Buffalo University]
Brilho verde
Este corante que brilha no escuro promete ser a próxima palavra no armazenamento de energia.
Conhecido como bodipy - uma abreviatura do termo em inglês para boro-dipirrometeno -, o material foi sintetizado por Anjula Kosswattaarachchi e seus colegas da Universidade de Buffalo, nos EUA.
O que a equipe descobriu é que esse corante possui propriedades excepcionais em duas áreas-chave para o armazenamento de energia: a coleta e armazenamento de elétrons e a participação na transferência de elétrons.
Nos primeiros testes, uma bateria à base de bodipy operou com uma eficiência de 73% a 2,3 volts por mais de 100 ciclos.
A proposta é que o corante sirva como elemento ativo de baterias de fluxo, que poderão ser carregadas com a energia gerada por fontes intermitentes, como eólica e solar, e depois descarregadas quando a energia for necessária.
Baterias redox
A vantagem das baterias de fluxo, ou baterias redox, é que elas não possuem limites máximos de armazenamento - basta ir enchendo tanques com o material, que depois é recirculado para liberar os elétrons quando a energia for necessária.
A eficiência de uma bateria redox depende das propriedades químicas do fluido utilizado.
"A biblioteca de moléculas usadas em baterias de fluxo redox é pequena atualmente, mas espera-se que ela cresça significativamente nos próximos anos. Nossa pesquisa identificou o corante bodipy como um candidato promissor," disse o professor Timothy Cook, coordenador da equipe.
Uma de suas grandes vantagens é que o material absorve e libera elétrons sem se degradar, como acontece com vários outros compostos químicos sendo pesquisados com o mesmo objetivo.

Bibliografia:

Characterization of a BODIPY Dye as an Active Species for Redox Flow Batteries
Anjula M. Kosswattaarachchi, Alan Friedman, Timothy R. Cook
ChemSusChem
DOI: 10.1002/cssc.201601104

Luz sofre metamorfose para caber dentro do chip

Luz sofre metamorfose para caber dentro do chip

Luz sofre metamorfose para caber dentro do chip
Este é o esquema do multiplexador, com uma entrada e duas saídas. O acoplamento mais-menos indica os excitons. [Imagem: IBS]
Luz na matéria
Engenheiros coreanos construíram três componentes-chave para a viabilização de processadores que usam luz em vez de eletricidade.
Além disso, os três componentes combinam as vantagens da eletrônica tradicional com a nova fotônica, tudo na mesma plataforma.
Usar a luz dentro dos processadores é bom porque ela é muito mais rápida do que a eletricidade, mas é também complicado porque o comprimento de onda da luz é enorme em relação aos componentes ultraminiaturizados da eletrônica atual - enquanto a dimensão de um transístor está na casa dos 20 nanômetros e caindo rápido, o comprimento de onda da luz está na faixa dos 500 nanômetros.
Conversão da luz
A solução é controlar a propagação da luz diretamente na matéria, mais especificamente em nanofios metálicos dentro dos chips. Para isso a luz é convertida em plásmons de superfície, oscilações conjuntas de elétrons que emergem quando a luz atinge a superfície metálica dos fios, geralmente de alumínio, cobre, prata ou ouro.
Usando os plásmons de superfície, a informação pode ser transmitida quase à velocidade da luz em componentes minúsculos, já que as ondas são geradas na superfície do próprio componente, qualquer que seja seu tamanho.
A equipe do Instituto de Ciências Básicas da Coreia do Sul conseguiu usar este princípio para construir três componentes essenciais para o processamento e a comunicações ópticas: transistores, multiplexadores e detectores de luz. Os componentes foram feitos com um semicondutor emergente, o dissulfeto de molibdênio (MoS2).
Luz sofre metamorfose para caber dentro do chip
A luz é transformada em oscilações de elétrons, que se propagam rapidamente pela superfície metálica. [Imagem: Hyun Seok Lee et al. - 10.1038/ncomms13663]
Interconversão
Os componentes funcionam e se interconectam graças a um fenômeno chamado interconversão plásmon-exciton-plásmon, que pode ser visto na figura.
O transistor óptico foi construído interconectando um nanofio a uma folha de MoS2 (a molibdenita é formada por uma única camada atômica). A luz que atinge o componente é convertida em plásmon de superfície, depois para um exciton, de volta para plásmon de superfície, e então re-emitida como luz com um comprimento de onda mais curto - por exemplo, se a luz de entrada for verde, a luz de saída é vermelha.
A multiplexação de comprimento de onda funciona de forma semelhante, mas em vez de uma única folha de MoS2, foi utilizada uma matriz de três materiais semicondutores 2D diferentes emitindo luz em diferentes comprimentos de onda - uma única luz de entrada (violeta) gera três luzes de saída (azul, verde e vermelha).
Os sinais ópticos que se propagam ao longo do nanofio podem também ser transformados e detectados como sinais elétricos por um detector óptico de sinais, permitindo a conexão da parte fotônica do circuito com circuitos eletrônicos.

Bibliografia:

Reconfigurable exciton-plasmon interconversion for nanophotonic circuits
Hyun Seok Lee, Dinh Hoa Luong, Min Su Kim, Youngjo Jin, Hyun Kim, Seokjoon Yun, Young Hee Lee
Nature Communications
Vol.: 7, Article number: 13663
DOI: 10.1038/ncomms13663

Infravermelho médio: Promessas começam a virar realidade

Infravermelho médio: Promessas começam a virar realidade

Infravermelho médio: Promessas começam a virar realidade
A equipe precisou sintetizar e polir manualmente a cavidade óptica a fim de obter a precisão necessária para produzir o infravermelho médio. [Imagem: T.J. Kippenberg/EPFL]
Vida, comunicações e espaço
Pesquisadores suíços e russos construíram o primeiro dispositivo prático para capturar e produzir luz em uma faixa do espectro luminoso que pode trazer novas revelações sobre a vida, mas que ninguém havia sido capaz de domar até agora.
Caroline Lecaplain e seus colegas da Escola Politécnica Federal de Lausanne construíram uma cavidade óptica capaz de manipular as ondas do infravermelho médio, também conhecido como "região das assinaturas moleculares" - ondas de luz com comprimentos entre 2,5 e 20 micrômetros.
Essa faixa do espectro eletromagnético é uma mina de ouro para a espectroscopia, os sensores químicos e biológicos, para a ciência dos materiais e para a indústria, uma vez que é o intervalo onde grande parte das moléculas orgânicas podem ser detectadas.
Aí estão incluídas também duas faixas precisas que deverão permitir a transmissão de sinais através da atmosfera sem qualquer distorção ou perda, abrindo novos caminhos para as comunicações via satélite e para coletar informações do espaço.
Cavidades ópticas
A melhor maneira que os físicos idealizaram até agora para aproveitar o potencial da janela espectral do infravermelho médio é usar cavidades ópticas, microdispositivos que confinam a luz por longos períodos de tempo. No entanto, a transformação da teoria em prática tem sido dificultada porque ninguém havia conseguido vencer os desafios tecnológicos para fazer cavidades ópticas capazes de operar nesse comprimento de onda.
Foi o que Lecaplain conseguiu fazer utilizando materiais cristalinos baseados em elementos de terras raras. Além de polir manualmente os cristais, ela precisou desenvolver fibras de materiais conhecidos como calcogenetos para acoplar a luz contínua de um laser de cascateamento quântico com o seu dispositivo capaz de "filtrar" o infravermelho médio.
O dispositivo alcançou o mais alto valor já registrado até hoje entre ressonadores operando nessa faixa do espectro. Talvez ainda não seja o componente definitivo para construir um aparelho que vá tornar realidade as muitas promessas da exploração do infravermelho médio, mas certamente é um grande passo nesse sentido.
O objetivo final da equipe é produzir um laser com frequência estável na faixa do infravermelho médio, que possa ser usado então como instrumento nas várias áreas de aplicação.

Bibliografia:

Mid-infrared ultra-high-Q resonators based on fluoride crystalline materials
Caroline Lecaplain, Clément Javerzac-Galy, M. L. Gorodetsky, Tobias J. Kippenberg
Nature Communications
Vol.: 7, Article number: 13383
DOI: 10.1038/NCOMMS13383

Quadricópteros em queda controlada fazem voos em Zero G

Quadricópteros em queda controlada fazem voos em Zero G

Quadricópteros em queda controlada fazem voos em Zero G
A equipe precisou desenvolver rotores variáveis para conseguir lidar com as instabilidades geradas pelo voo de gravidade zero. [Imagem: Juan-Pablo Afman et al. (2016)]
Zero G
A realização de experimentos em microgravidade é tão importante que justificou a construção da Estação Espacial Internacional. Além disso, centenas de foguetes de sondagem são lançados todos os anos à fronteira do espaço em busca de poucos minutos de "ausência de gravidade".
Mas poucos conseguem pagar a conta dessas opções tradicionais, o que faz com que muitos experimentos não sejam realizados, ou sejam realizados fora das condições ideais.
Sabendo disso, Juan-Pablo Afman, do Instituto de Tecnologia da Geórgia, nos EUA, teve uma ideia: usar quadricópteros autônomos - controlados por software - para criar condições de Zero G a uma fração do custo dos foguetes.
Queda descontrolada
A ideia original era simples demais para ser verdade: fazer o quadricóptero subir até uma altitude determinada e depois deixá-lo cair o máximo possível, recuperando o controle antes que ele se esborrachasse no chão.
Não deu certo: a resistência do ar é suficiente para evitar que se atinja qualquer coisa parecida com Zero G. Além disso, os efeitos aerodinâmicos das hélices paradas durante a queda geram instabilidades tão fortes que fica difícil recuperar o controle do drone quando os motores são religados.
Depois de alguns "resultados catastróficos", como a equipe descreveu seus primeiros experimentos, eles descobriram que o plano fixo dos rotores dos quadricópteros convencionais não consegue produzir a forças necessárias para acelerar a aeronave para baixo, até atingir o Zero G, e nem para estabilizar o drone quando é necessário sair da queda livre.
Quadricópteros em queda controlada fazem voos em Zero G
Obedecendo à legislação, o quadricóptero fornece até 5 segundos de gravidade zero. [Imagem: Juan-Pablo Afman et al. (2016)]
Rotor móvel
Para resolver o problema, a equipe projetou e construiu rotores móveis, que permitem gerar empuxo suficiente e lidar com as instabilidades.
Um programa de computador fica responsável pelo controle, permitindo obter um ambiente de ausência de gravidade de até 5 segundos obedecendo a toda a legislação federal - nos EUA, os drones só podem subir a até 120 metros e não podem pesar mais do que 25 quilogramas.
Em sua versão final, que a equipe espera ter pronta até o fim do ano, será possível traçar trajetórias com diferentes características, de forma a obter sessões com durações precisas em Zero G para experimentos específicos.
A expectativa é que o sistema completo custe por volta de US$25.000, embora a equipe não tenha anunciado ainda como pretende comercializar o equipamento.

Bibliografia:

On the Design and Optimization of an Autonomous Microgravity Enabling Aerial Robot
Juan-Pablo Afman, John Franklin, Mark L. Mote, Thomas Gurriet, Eric Feron
https://arxiv.org/abs/1611.07650

Nova versão do chip brasileiro que fará parte do LHC

Eletrônica

Nova versão do chip brasileiro que fará parte do LHC

Nova versão do chip brasileiro que fará parte do LHC
O chip brasileiro está sendo testado em institutos parceiro do LHC na Noruega, Suécia, EUA, Rússia e França.[Imagem: Marcos Santos/USP Imagens]
Sopa de partículas
Engenheiros da USP estão finalizando a versão de testes do chip Sampa.
O pequeno circuito integrado - que mede 9,6 milímetros (mm) x 9 mm - será utilizado no LHC (Grande Colisor de Hádrons), o maior colisor de partículas do mundo.
O Sampa será utilizado em um dos grandes detectores do LHC, o Alice, que mede as colisões de íons de chumbo para estudar o plasma de quarks e glúons, que corresponde a um estado diferenciado da matéria, composto dos elementos mais básicos, "abaixo" dos átomos.
No plasma de quarks e glúons - uma espécie de "sopa de partículas" - os quarks não ficam confinados aos hádrons, como os prótons ou os nêutrons. "A ideia é reproduzir em laboratório um novo estado da matéria que teria existido poucos microssegundos após a grande explosão ou big-bang," explicou o professor Marcelo Gameiro Munhoz.
E é justamente nesta estrutura que o chip Sampa será fundamental para compor os equipamentos que irão "fotografar" com precisão o momento exato das colisões.
Detector
Dentro do Alice, o chip brasileiro deverá instrumentalizar o detector TPC (Time Projection Chamber), o principal sistema de reconstituição das trajetórias das partículas após o choque entre os íons.
O TPC possui uma câmara com gás com 5 metros (m) de diâmetro por 5 m de comprimento. Ao ser atravessado por uma partícula, o gás é ionizado. "Um sensor, situado na extremidade dos detectores, multiplica o número de elétrons arrancados do gás e gera um pulso de carga que é captado por um conjunto de chips, que processa e retransmite os sinais para serem analisados," conta o pesquisador.
Esta é a terceira versão do chip, tendo sido grandemente aperfeiçoada em relação à segunda versão, concluída em 2014. Por exemplo, em vez dos três canais de leitura da versão anterior, o Sampa agora conta com 32 canais, aumentando muito a capacidade de leitura e transmissão de dados.
"Mesmo sendo mais completo, o chip atual poderá passar ainda por mais algumas transformações. O equipamento ainda será testado até a sua conclusão e certamente serão necessários pequenos ajustes," alertou o pesquisador.

Os testes estão sendo realizados nos laboratórios da USP, da Unicamp e da Faculdade de Engenharia Industrial de São Bernardo do Campo, para testes de tolerância à radiação. Desde a primeira versão, o chip vem sendo testado também em institutos parceiros do LHC na Noruega, Suécia, EUA, Rússia e França.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Criado processo para produzir hidrogênio a baixa temperatura

Criado processo para produzir hidrogênio a baixa temperatura

Criado processo para produzir hidrogênio a baixa temperatura
Os átomos de hidrogênio impulsionados pelo campo elétrico parecem ser a chave do novo processo de baixa temperatura. [Imagem: Waseda University]
Fábrica de hidrogênio
Químicos japoneses desenvolveram um novo método para a produção de hidrogênio que é rápido, irreversível e ocorre a uma temperatura muito mais baixa do que o processo industrial atual, o que significa que ele usa menos energia.
A expectativa é que esta inovação, que poderá ser utilizada em outros processos da indústria química, contribua para a disseminação dos sistemas de célula a combustível para automóveis e residências.
O hidrogênio atualmente é extraído do metano e do vapor utilizando um catalisador de níquel a temperaturas acima de 700° C.
A equipe do professor Yasushi Sekine, da Universidade de Waseda, desenvolveu um método que permite a extração do hidrogênio em temperaturas entre 150 e 200° C.
Hidrogênio de baixa temperatura
Embora a equipe afirme que não compreendeu completamente como é possível uma reação tão rápida a uma temperatura tão baixa, a chave do processo está na aplicação de um fraco campo elétrico ao reator, que cria prótons (átomos de hidrogênio) de superfície.
O que a equipe conseguiu documentar é que os prótons movem-se rapidamente através da água adsorvida na superfície do catalisador, e os prótons de superfície alimentam a reação, permitindo que ela prossiga a baixas temperaturas. Além disso, parece ser a colisão dos prótons e dos adsorventes o que evita a inversão da reação.
De qualquer forma, essa mudança reduz consideravelmente a energia necessária para produzir o gás, além de prolongar a vida útil do catalisador e reduzir a complexidade dos sistemas de gerenciamento de calor da planta industrial.
Isto significa que o processo poderá melhorar a pegada de carbono da atual indústria de hidrogênio, ainda baseada no metano - o grande sonho para um hidrogênio realmente limpo ainda passa pelo chamado hidrogênio solar.
Aplicações automotivas
Além de promissora para a comercialização do hidrogênio em larga escala - para automóveis, por exemplo - a técnica é aplicável a vários outros produtos, uma vez que o mesmo mecanismo permite reduzir a temperatura para várias reações envolvendo hidrogênio ou água, garantem os pesquisadores.
Para demonstrar isto, eles já estão aplicando a técnica para melhorar a eficiência energética nos automóveis atuais, criando reações entre os gases de escape e o combustível a temperaturas mais baixas.

Bibliografia:

Surface Protonics Promotes Catalysis
R. Manabe, S. Okada, R. Inagaki, K. Oshima, S. Ogo, Y. Sekine
Nature Scientific Reports
Vol.: 6, Article number: 38007
DOI: 10.1038/srep38007

Sim, é possível fazer chips com materiais unidimensionais

Sim, é possível fazer chips com materiais unidimensionais

Sim, é possível fazer chips com materiais unidimensionais
Microfotografias e esquema dos componentes construídos pela equipe em um chip de 2,5 cm2. [Imagem: Pop Lab/Stanford]
Eletrônica atômica
Engenheiros da Universidade de Stanford, nos EUA, demonstraram que já existe tecnologia capaz de fazer processadores e circuitos integrados em geral usando materiais unidimensionais, ou monoatômicos.
Apesar de todo o entusiasmo gerado pela descoberta de materiais como grafeno, molibdenita e uma série de outros, fabricar transistores e outros componentes de altíssimo rendimento em laboratório é uma coisa, mas fabricá-los em série em uma linha de produção industrial é outra bastante diferente.
Kirby Smithe e seus colegas acabam de demonstrar que isso é possível, faltando pouco para que o processo possa ir definitivamente para a fábrica.
Área versus espessura
A equipe começou com uma folha de molibdenita, que é formada por uma camada de átomos de molibdênio ensanduichada entre duas camadas de enxofre.
De pronto, eles depuseram o material sobre uma pastilha de silício grande o suficiente para formar um chip. Se parece pouco, é só verificar as proporções envolvidas entre a pastilha de silício e o material unidimensional: a camada de molibdenita ficou com uma área 25 milhões de vezes maior do que sua espessura.
Faltava então usar o material para criar chaves elétricas - os precursores dos transistores - e checar seu funcionamento. O processo de litografia é quase trivial; o que deu mais trabalho foi conectar eletrodos a esses nanocomponentes para que a energia chegasse até eles.
Sim, é possível fazer chips com materiais unidimensionais
A equipe gravou imagens de Cliton e Trump retirando porções detalhadas da camada de molibdenita (mais escura). [Imagem: Smithe et al. - 10.1088/2053-1583/4/1/011009]
Inspiração
Para demonstrar o avanço na manipulação das camadas monoatômicas, a equipe usou a litografia para produzir as imagens dos dois então candidatos à eleição nos EUA - a eleição não havia acabado quando eles fizeram o trabalho.
"Muitas pessoas estão interessadas na eletrônica porque a tecnologia é útil. Mas esperamos que o nanotrump e a nanoclinton possam ampliar o interesse na pesquisa. Talvez ver retratos gravados em uma tela de três átomos de espessura inspire os futuros pesquisadores de uma forma que nem sequer imaginamos," disse o professor Eric Pop.
Sobre a tecnologia ele é mais cauteloso, mas mostra que o trabalho está andando: "Nós temos um bocado de trabalho por fazer para escalonar este processo em circuitos de maior escala e com melhor desempenho. Mas agora temos todos os blocos fundamentais," concluiu.

Bibliografia:

Intrinsic Electrical Transport and Performance Projections of Synthetic Monolayer MoS2 Devices
Kirby K. H. Smithe, Chris D. English, Saurabh V. Suryavanshi, Eric Pop
2D Materials
Vol.: 4, Number 1
DOI: 10.1088/2053-1583/4/1/011009
https://arxiv.org/abs/1608.00987

Metamaterial guia a luz por onde você queira - sem fibras ópticas

Metamaterial guia a luz por onde você queira - sem fibras ópticas

Metamaterial guia a luz por onde você queira - sem fibras ópticas
Em vez de vias feitas de fibras ópticas, variações precisamente calculadas na espessura das estruturas que formam o metamaterial conduzem a luz exatamente por onde ela deve passar para chegar ao seu destino.[Imagem: Sophie Viaene]
Óptica transformacional
Depois de terem demonstrado a possibilidade de fazer microeletrônica sem semicondutorestelas passivas com cores totais e camuflagens sísmicas contra terremotos, os metamateriais estão fechando o ano com um dos avanços mais importantes no campo da óptica e da fotônica.
Pesquisadores da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia, desenvolveram um metamaterial capaz de manipular a luz de forma que ela siga qualquer caminho predeterminado ao longo de uma superfície.
É difícil imaginar todas as possibilidades de uso dessa ferramenta, mas processadores à base de luz estão nas primeiras posições da fila de beneficiados.
Com a ajuda da ferramenta matemática que a equipe desenvolveu é possível criar materiais artificiais que guiam a luz ao longo de caminhos determinados com virtualmente qualquer finalidade.
"Nós não temos que pensar sobre as limitações dos materiais naturais. Em vez disso, decidimos o que queremos fazer e, em seguida, projetamos uma guia de ondas de metamaterial que faz o trabalho. Esta é uma física maravilhosa, construída sobre a base da teoria geral da relatividade de Einstein," disse Sophie Viaene, principal autora do trabalho.
Metamaterial guia a luz por onde você queira - sem fibras ópticas
As nanoestruturas na superfície do material funcionam como rotas que a luz segue com precisão. [Imagem: Sophie Viaene et al. - 10.1103/PhysRevB.93.085429]
Manipulação da luz
Este aprimoramento da técnica de manipulação da luz tem um amplo campo de aplicação, principalmente no campo da transmissão de dados pelas redes de fibras ópticas. Por exemplo, ele pode ser usado em chips ópticos, para melhorar a confiabilidade da transmissão de dados na internet, ou para acelerar os roteadores responsáveis por fazer esses dados chegarem ao seu destino.
"Nosso método abre a caixa de ferramentas da óptica transformacional para uma infinidade de dispositivos baseados em guias de ondas," disse o professor Philippe Tassin.
Com novos melhoramentos, eles esperam que o novo metamaterial possa até mesmo melhorar a forma como a luz é gerada, e não apenas como ela é transmitida.
"Por exemplo, uma lâmpada LED está longe de ser perfeita quando se trata da eficiência energética. Os metamateriais poderão extrair a luz de forma mais eficiente - e talvez também possamos manipular a cor da luz," finalizou Tassin.

Bibliografia:

Transforming two-dimensional guided light using nonmagnetic metamaterial waveguides
Sophie Viaene, Vincent Ginis, Jan Danckaert, Philippe Tassin
Physical Review B
Vol.: 93, 085429
DOI: 10.1103/PhysRevB.93.085429

Diamante de ouro é criado por moléculas de DNA

Diamante de ouro é criado por moléculas de DNA

Diamante de ouro é criado por moléculas de DNA
O experimento gerou cristais artificiais de ouro com a mesma estrutura do diamante. [Imagem: Wenyan Liu et al. - 10.1126/science.aad2080]
Automontagem
O grande sonho da nanotecnologia é construir as coisas de baixo para cima, átomo por átomo ou molécula por molécula, de forma a criar objetos com qualquer propriedade que se queira e, melhor ainda, materiais multifuncionais, que possam apresentar simultaneamente várias propriedades que possam se manifestar de forma controlada.
Um grande avanço nessa técnica acaba de ser obtido por Wenyan Liu e uma equipe internacional trabalhando no Laboratório Nacional Brookhaven, nos EUA.
Eles desenvolveram uma técnica que faz com que nanopartículas de ouro se organizem na mesma estrutura cristalina do diamante. É como um cristal no qual os átomos de carbono do diamante tivessem sido substituídos pelas nanopartículas de ouro.
As propriedades extraordinárias do diamante - ópticas, eletrônicas, dureza etc. - resultam justamente da sua estrutura cristalina, da forma como os átomos de carbono se organizam.
Isso nos faz imaginar quais outras funcionalidades poderiam ser obtidas de materiais nos quais os átomos de carbono fossem substituídos por outros átomos. É nisso que Liu está trabalhando.
Diamante de ouro montado com DNA
A equipe empregou a técnica mais usada até agora em experimentos desse tipo, a automontagem das nanopartículas guiadas por moléculas sintéticas de DNA. A capacidade de conexão seletiva do DNA permite que ele seja programado para fazer com que nanopartículas se juntem de forma precisa, em um processo de automontagem que começa assim que o DNA e as partículas são postas em uma solução.
As moléculas de DNA foram inicialmente programadas para se juntar em aglomerados de cerca de 20 nanômetros de comprimento e então formar "armadilhas" em forma de pirâmide. A seguir, apontando para o interior das armadilhas, foram adicionadas moléculas individuais de DNA usando sequências T, G, C e A que combinavam com as sequências das moléculas adicionadas às nanopartículas de ouro. Quando misturadas em solução, as bases complementares fizeram o trabalho, aprisionando as nanopartículas de ouro dentro das pirâmides.
Para criar a rede atômica artificial foram usadas bases complementares postas nos vértices dos tetraedros, com cada vértice programado para se ligar a um segundo conjunto de nanopartículas de ouro.
Diamante de ouro é criado por moléculas de DNA
Detalhes das junções que formam os tetraedros e das moléculas de DNA encarregadas de prender as nanopartículas de ouro. [Imagem: Wenyan Liu et al. - 10.1126/science.aad2080]
Quando tudo foi misturado e aquecido, os arranjos tetraédricos formaram super-redes com ordens de longo alcance nas quais as posições das nanopartículas de ouro equivalem à disposição dos átomos de carbono na rede atômica do diamante, só que em uma escala cerca de 100 vezes maior - algo como um "diamante de ouro", só que bem inchado.
Cristais artificiais
"Nós demonstramos um novo paradigma para criar estruturas ordenadas complexas em 3D por meio da automontagem. Se você consegue construir essa rede tão desafiadora, imaginamos que poderemos construir potencialmente qualquer rede atômica que desejarmos," disse o professor Oleg Gang, coordenador do grupo.
O próximo passo é tentar construir estruturas cada vez maiores, que possam gerar esses cristais artificiais de dimensões que permitam o estudo aprofundado de suas propriedades.

Bibliografia:

Diamond family of nanoparticle superlattices
Wenyan Liu, Miho Tagawa, Huolin L. Xin, Tong Wang, Hamed Emamy, Huilin Li, Kevin G. Yager, Francis W. Starr, Alexei V. Tkachenko, Oleg Gang
Science
Vol.: 351, Issue 6273, pp. 582-586
DOI: 10.1126/science.aad2080

sábado, 3 de dezembro de 2016

TODOS CONTRA CORRUPÇÃO: DIA 4 VAMOS PARA RUAS!!!

Em discurso emocionado, Caiado ARREBENTA PROTESTANTES BARDENEIROS

Bateria nuclear de diamante dura milhares de anos. Sem recarga

Bateria nuclear de diamante dura milhares de anos. Sem recarga

Bateria nuclear de diamante dura milhares de anos. Sem recarga
A bateria de diamante geraria energia por 5.730 anos - no caso de se usar o carbono-14 - e emitiria menos radiação do que uma banana emite naturalmente, dizem os proponentes da ideia. [Imagem: Universidade de Bristol]
Bateria nuclear
Uma equipe de físicos e químicos da Universidade de Bristol, no Reino Unido, está propondo um conceito controverso: construir baterias nucleares dentro de pequenos diamantes industriais.
A energia gerada "é muito pequena", de acordo com os professores Neil Fox e Tom Scott, proponentes da ideia, o que tornaria as baterias nucleares de diamante adequadas para alguns nichos de aplicação que requeiram pouca energia e longa durabilidade.
"Vislumbramos que estas baterias sejam usadas em situações onde não é possível carregar ou substituir baterias convencionais. As aplicações óbvias seriam em dispositivos elétricos de baixa potência, onde é necessário uma vida longa da fonte de energia, como marcapassos, satélites, drones de alta altitude ou mesmo espaçonaves," disse Scott.
A vida longa é longa mesmo: a dupla estima que uma bateria nuclear de diamante poderia produzir sua pequena carga elétrica por milhares de anos. Se o combustível usado for o carbono-14, como a dupla propõe, a meia-vida desse elemento é de 5.730 anos.
Bateria radioativa
Ao contrário dos geradores convencionais de eletricidade, que usam energia mecânica para mover um ímã dentro de uma bobina para gerar uma corrente, o diamante artificial pode produzir uma carga simplesmente ao ser colocado próximo a uma fonte radioativa.
"Não há partes móveis envolvidas, nenhuma emissão gerada e nenhuma manutenção é necessária, apenas a geração direta de eletricidade. Encapsulando o material radioativo dentro de diamantes, transformamos o problema de longo prazo dos resíduos nucleares em uma bateria nuclear e um fornecimento de energia limpa a longo prazo," defendeu Scott.
Na verdade há emissão de radiação, mas a dupla tem uma solução: encapsular o diamante radioativo dentro de outro diamante, sintetizado em volta do primeiro, servindo como um escudo de grande eficiência: a bateria radioativa emitiria tanta radiação quanto uma banana.
Bateria nuclear de diamante dura milhares de anos. Sem recarga
A ideia é envolver o diamante radioativo dentro de outro diamante não-radioativo, que serviria como escudo de proteção. [Imagem: Universidade de Bristol]
Bateria de diamante
A dupla apresentou um protótipo da bateria de diamante usando níquel-63, mas a ideia é usar carbono-14, um isótopo radioativo que se forma nos eletrodos de grafite usados como controladores da fissão nuclear dentro dos reatores.
Esses eletrodos, que hoje se transformam em lixo nuclear, seriam moídos e submetidos a altas pressões, suficientes para produzir diamantes industriais - o grafite é formado por carbono puro, assim como o diamante. Para que a bateria nuclear fique pronta, basta então sintetizar uma outra camada de diamante - gerado por carbono não radioativo - por cima do primeiro.
O processo não é simples e provavelmente não será barato, mas a dupla acredita que vale a pena pela destinação do lixo nuclear. E eles esperam também convencer as pessoas a usarem as baterias nucleares em seus próprios corpos.

"O carbono-14 foi escolhido como material fonte porque ele emite uma radiação de curto alcance, que é rapidamente absorvida por qualquer material sólido. Isso tornaria perigoso ingerir ou tocar nele com sua pele nua, mas mantido seguro no diamante, nenhuma radiação de curto alcance consegue escapar. Na verdade, o diamante é a substância mais dura conhecida pelo homem, não há literalmente nada que pudéssemos usar que poderia oferecer mais proteção," disse Scott.